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Falando em Agile

October 27, 2008

Tenho certeza que terão muitos posts falando sobre o evento “Falando em Agile 2008”, porém não poderia deixar de expressar minha impressão sobre as palestras que achei mais interessantes.

Para quem se interessar, o objetivo principal de cada palestra pode ser encontrado aqui, logo, focarei mais na minha impressão e opinião pessoal de cada apresentação.

Começando pelo principal. Foi o melhor Coffe Break de todos todos os eventos da Caelum que já participei. =D

No primeiro dia o Danilo Sato e o Francisco Trindade falaram sobre “Agilidade de tartaruga. Métodos ágeis encontram o mundo real”. Eles focaram bastante na idéia de evolução contínua de um processo ágil e como “seguir a receita dos livros” (agile by the book) pode engessar o processo e acabar deixando de lado algo fundamental para um time ágil: a adaptação e melhoria constante do processo. A palestra foi muito interessante pois eles apresentaram exemplos reais de projetos em que participaram e de como o feedback e adaptação ajudam a “moldar” um processo ágil para a realidade daquele cliente ou daquele projeto especificamente. Mas fico um pouco preocupado com interpretações erradas. Imaginem o camarada que está começando a utilizar práticas ágeis e que ainda não conseguiu adaptar-se, por exemplo, à prática de TDD. Ao descobrir que pode adaptar o processo ele logo pensa: “Ahá, sabia que não precisava desse negócio de testar antes de escrever código”. Pronto, acontecerá exatamente o que o Phillip mostrou em sua palestra (continue lendo). Obviamente que não foi isso que o Danilo e o Francisco passaram, mas, sabemos até onde vai a criatividade humana. Alias, segundo o Pedro, a preguiça é o maior motivador para a criatividade humana. Preguiça, escrever testes, gerente que diz “se não tiver tempo não precisa testar” … Sugestivo né! Então fica o alertar: Para adaptar um processo (ágil ou não), primeiro você precisa experimentá-lo, conhecê-lo muito bem e saber exatamente quais as consequencias da exclusão de uma prática.

O destaque do dia foi a palestra do pessoal de Brasilia, da SEA tecnologia. Foi uma palestra muito divertida onde o pessoal mostrou a dificuldade que enfrentaram para introduzir métodos ágeis na Força Aérea Brasileira, um orgão militar bastante consevador, burocrático e cheio de regras e procedimentos rígidos. A todo momento o oficial militar responsável pelo projeto, que participou da aparesentação, contava momentos em que pensou “pronto agora eu vou em cana”. O relato mais curioso foi com relação aos post-its no quadro. Como o Coronel (não me lembro se era esta a patente correta) “não gostava de desorganização” a saída do pessoal foi colar os post-its em folhas A4 e estas no quadro. Guando o Coronel chegava, todos corriam para arrancar as folhas e escontê-las na gaveta. Que situação!

A ultima palestra do dia foi a do Guilherme Chapiewsky da globo.com, com o tema “Liderando equipes agéis”. A palestra do Guilherme foi incrível. Ele conseguiu deixar muito claro como ele lidera e como é a relação entre o lider e a sua equipe. Eu acompanho os blogs do pessoal da globo.com a algum tempo e é nítida, mesmo pra quem está de fora, a mudança de comportamento que o Scrum trouxe para organização. Das 12 palestras realizadas nesses dois dias, 4 foram do (ex-)pessoal da globo.com, e todos mostraram-se muito satisfeitos com a introdução de práticas ágeis. É muito legal vermos o surgimento de lideres jovens como o Guilherme, que não conduzem uma equipe de forma imperativa, “chefeando” mas sim guiando, ajudando e principalmente fazendo parte da equipe, porque geralmente, as equipes não enchergam o gerente como um membro e sim como chefe (Uga-uga!).

O segundo dia teve início com o KeyNote do Alexendre Magno sobre “Scrum em ambientes PMBok”. O Alexandre dispensa apresentações/comentários e como sempre sua palestra foi muito boa. O legal dessa apresentação foi ver como os gerentes de projeto tradicionais destorcem muito as práticas do PMBok, interpretando-as como convêm. O próprio PMBok fala sobre coisas como Rolling-Wave Planning e Progressive Elaboration, que se parecem muito com o nosso desenvolvimento iterativo. Alguém aí já viu algum PMP falando sobre essas coisas? Veja no link dos mesmos para a Wikipedia a importancia que se dá a essas coisas.

Continuando com o case da globo.com, o Danilo Bardusco contou um pouco de como aconteceu o primeiro projeto onde eles utilizaram efetivamente práticas ágeis. Precisavam colocar no ar em 40 dias uma aplicação para o BBB. Todos, inclusive o próprio Danilo, acreditavam que não conseguiriam cumprir esse prazo desenvolvendo software da forma como estavam acostumados a fazer. Quando propôs o uso de Scrum, os próprios membros da equipe, como de costume, continuaram duvidando que seria possível. A solução foi propor uma experiência de 3 dias e, caso não ouvesse evolução, desistiriam do projeto. O resultado foi a adoção de Scrum em todas as equipes da globo.com.

Outra apresentação que merece destaque foi a do Antônio Carlos, do Yahoo. Sua palestra foi um pouco mais específica, focando no papel do Product Owner. Muitas das palestras do evento foram em cima de relatos sobre a experiência na adoção de metodologias ágeis nas empresas. Foi realmente muito legal ouvir essas experiências, uma perspectiva bem diferente e mais prática do que lemos nos livros. Porem uma das coisas que senti falta no evento foram palestras com temas mais técnicos, específicos e práticos, por isso a palestra do Antônio foi diferenciada. Seria bom se tivessemos um evento em formato de Workshops, com simulação de casos reais e trabalhos em grupo.

Por último tivemos a palestra do Phillip Calçado (Shoes). Uma palestra bastante esperada pela maioria e que não deixou a desejar. Apesar do tema parece bem polêmico, “A maldição da fábrica de software ágil”, a apresentação foi bem amena. Depois de alguns minutos ofegantes, após a corrida atras do notebook, o Phillip apresentou dois exemplos de projetos em que teve a oportunidade de participar pela Thoughtworks Austrália e quais foram os problemas que encontraram. Conta Shoes que em um desses projetos, após obterem sucesso em uma parte do projeto, o gerente do projeto resolveu colocar mais pessoas e paralelizar as tarefas. “Nine women can’t make a baby in one month” já dizia Fred Brooks. A conclusão do Phillip, e aí entra o comentário que fiz sobre o tema do Danilo e do Francisco, é que com tantas pessoas no time perdeu-se na comunicação. A comunicação é um dos pilares do desenvolvimento ágil e, com a falta ou deficiência da mesma, torna-se necessária uma documentação formal mais pesada, já que de alguma forma as informações têem de ser transmitidas entre os membros da equipe. Ao tentar transformar o time em uma especie de fábrica, o gerente de projetos não percebeu que estava abrindo mão da comunicação, e isso colocou em xeque o sucesso de um time ágil.

Como em todo bom evento, ao final de cada dia fomos “tomar uma”. Esse é um momento muito interessante, pois temos oportunidade de conhecer pessoalmente várias pessoas que encontramos diariamente nos blogs e foruns. Entre Coffe Breaks e cervejas após o evento tive a oportunidade de conhecer pessoas como o Luiz Aguiar, Luca, Rodrigo Yoshima, Pedro (do Yahoo), Daniel Destro, diversos dos palestrantes e muitas outras pessoas que nem tivemos tempo de perguntar o nome uma das outras.

Quem não pode ir desta fez, não perca os próximos. Sem dúvida são essas coisas que ajudarão a formar seu conhecimento e opinião profissional.